por Cláudia Ribas [i]; Ana Paula Pedroso [ii]Marília de Abreu Martins de Paiva
[i] Professora-Substituta da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Doutoranda em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, também pela UFMG. E-mail: cpcribas@gmail.com.
[ii] Mestranda em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação pela UFMG. E-mail: ana@crions.com.br.
[i] Professora-Substituta da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Doutoranda em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, também pela UFMG. E-mail: cpcribas@gmail.com.
[ii] Mestranda em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação pela UFMG. E-mail: ana@crions.com.br.
O homem sempre assumiu o papel de lidar com a informação, e o direito a sua manifestação, sob qualquer forma, processo, veículo ou acesso, está resguardado no Brasil conforme disposto no Capítulo V da Constituição Federal de 1988.
Como resultado da proliferação e da integração das tecnologias de informação e comunicação (TIC’s), torna-se viável, no âmbito da sociedade, sua absorção no contexto dos processos culturais e sua utilização enquanto forma de transmissão da informação. Na realidade, as tecnologias estão presentes em nosso cotidiano não apenas sob a forma de suporte, mas intrinsecamente como cultura, ampliando nossa visão de mundo, modificando as linguagens e propondo novas formas de apreender a realidade.
Os grandes avanços em ciência e tecnologia vivenciados na contemporaneidade refletem em todos os segmentos da sociedade. Vale ressaltar, no entanto, que tal reflexo, ao mesmo tempo em que ilumina alguns, entorpece a visão de muitos outros. Isto é, ao mesmo passo que se clama a propagação das TIC’s, percebemos o crescimento de um contingente cada vez maior de info-excluídos.
Apesar das formulações teóricas e da mídia em geral afirmarem que estamos em plena sociedade tecnológica, a situação geográfica brasileira mostra que em algumas regiões não se tem acesso a quase nenhum tipo de tecnologia de informação e comunicação. Vale ressaltar que um dos fatores predominantes da info-exclusão é o de ordem sócio-econômica, ou seja, os índices da info-exclusão são compatíveis com os índices da exclusão sócio-econômica no país.
Tais dados foram revelados na pesquisa (BRASIL, 2006) sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação realizada em todo o país em 2006. Segundo essa pesquisa, 66,68% dos brasileiros nunca usou a Internet. Como exemplos, podem ser citados os casos da região Nordeste, onde 77,59% ainda não têm acesso a essa tecnologia, bem como a região Sudeste, que, apesar de ser mais privilegiada socioeconomicamente, também possui um número relativamente alto de pessoas que nunca utilizaram esse recurso: 63,11%.[i]
Diante do exposto, pode-se considerar que a explosão das TIC’s registrada no decorrer da última década não tem significado, necessariamente, a democratização das tecnologias nem da informação. Além da disponibilidade da Internet atingir, em grande parte, apenas uma classe economicamente mais favorecida, deve-se salientar que não existem, até o momento, políticas públicas suficientemente fortes e estruturadas para propiciar o acesso às condições que levariam a info-inclusão de milhões de pessoas.
Nesse contexto, torna-se evidente que o papel do Estado é central nesses acontecimentos. Castells (2000) destaca o papel estatal nos programas de modernização através da história, sendo óbvia sua relevante participação na sociedade informacional que se estrutura e reestrutura atualmente: “em grande parte, a tecnologia expressa a habilidade de uma sociedade para impulsionar seu domínio tecnológico por intermédio das instituições sociais, inclusive o Estado” (CASTELLS, 2000, p.31).
[i] Pesquisa realizada pelo Instituto IPSOS – Opinion, no período de julho a agosto de 2006, por meio de entrevistas em 10.510 domicílios brasileiros com indivíduos a partir dos 10 anos. A pesquisa mediu a penetração e o uso da Internet em domicílios, incluindo o uso de governo eletrônico, comércio eletrônico, educação, lazer e entretenimento. A referida pesquisa está disponível na íntegra (metodologia e resultados) no site do Comitê Gestor da Internet no Brasil (http://www.cetic.br/usuarios/tic/2006/index.htm).
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