INTERNET E ORIENTAÇÃO EM PORTUGAL

por Maria do Céu Taveira, Universidade do Minho. Portugal

Em Portugal, em 2001, 1 em cada 2 portugueses utilizava computadores no seu dia a dia e cerca de ¼ da população de 10 milhões de habitantes, tinha acesso e utilizava a Internet (http://www.si.mct.pt). Transformar Portugal num membro activo da Comunidade Global da Tecnologia da Informação e da Comunicação tem sido uma prioridade máxima dos governos portugueses, nos últimos 7 anos (ver www.posi.mct.pt). Um orçamento de 500 milhões euros foi recentemente destinado para apoiar financeiramente, até 2006, o Ministério da Ciência e da Tecnologia, a prosseguir tal objectivo em diversos sectores da sociedade: educação e ciência, administração, negócios, etc. No campo da educação, existem várias infra-estruturas e projectos apoiados por estes fundos. O programa Internet nas Escolas pode ser um contexto excelente para os psicólogos escolares ensaiarem e desenvolverem o uso das TIC na orientação, através da Internet.
Actualmente, as escolas e as universidades, os centros de emprego e de formação, bem como muitos consultórios de orientação possuem já computadores com acesso à Internet, para utilização, cada vez mais, quer pelos profissionais, quer pelos próprios clientes de orientação. A Internet é já usada desde o inicio dos anos 90 por vários profissionais da orientação na sua prática profissional. No entanto, muitos iniciam o uso desta tecnologia com muitas incertezas acerca da sua utilidade na orientação.
De que modo é que a Internet compete com o papel do profissional de orientação? Até que ponto deve ser encarada, pelo menos para alguns clientes, como uma alternativa ao profissional de orientação? Para que clientes e em que actividades pode ser adequada? Muitos destes profissionais resistem mesmo em iniciar uma formação no âmbito das TIC, ora porque consideram a Tecnologia uma área fora do seu domínio de interesse e de actuação, ora porque receiam desvirtuar a natureza do seu trabalho.
Com efeito, o foco da atenção e da preocupação dos profissionais de orientação são as pessoas. A sua preocupação central é ajudar as pessoas a gerir e a desenvolver o melhor possível, as suas vidas pessoal e de trabalho, ao longo de toda a existência. Alguns profissionais de orientação começam já a encarar com mais abertura as possibilidades de integração da Internet nas suas actividades de intervenção vocacional. Na Universidade do Minho, no norte de Portugal, está em curso uma investigação sobre as atitudes e os comportamentos dos profissionais e orientação face à Internet bem como outros trabalhos destinados a avaliar a eficácia deste tipo de tecnologia na orientação e ainda, o desenho de formação no domínio do uso da Internet na Orientação.
Tipos de sites e de utilizações da Internet no campo da Orientação
Os computadores e a Internet começam a ser usados como uma ferramenta de organização ou como um instrumento de auto-ajuda para os profissionais de orientação (para colectarem e publicarem informação e para comunicarem entre si). Gradualmente, a Internet está a ser usada como ferramenta de ajuda aos clientes, em geral antes ou depois da relação face-a-face na sessão de orientação. Existem poucos exemplos de sites de consulta vocacional on-line ou de contextos de educação para a carreira on-line. No entanto, espera-se que durante os próximos 5 anos, os profissionais de orientação portugueses possam estar aptos a utilizar mais as TIC e a usar a Internet como um componente integrado nos seus sistemas de intervenção.
A maioria dos sites de orientação portugueses destina-se mais a ajudar os indivíduos a tomar consciência e a informarem-se sobre as oportunidades do meio e incluem bases de dados sobre as oportunidades de ensino, formação profissões e empregos, o trabalho em part-time, o trabalho voluntário, e informação sobre como criar o seu próprio emprego. Em geral, possuem um menu de critérios de procura que permite aos utilizadores encontrar dados e informação relevante para as suas necessidades. Algumas destas bases de dados incluem informação relevante sobre o mercado de trabalho, sobre a oferta e procura de emprego.
Existem também sites com exemplos de simulações de trabalho que permitem aos utilizadores explorar domínios profissionais específicos de um modo experimental. Exemplos de sites portugueses que podem ser incluídos nesta categoria são: os públicos http://www.drec.min-edu.pt/ciep/ ou www.uminho.pt/vocacoes/ ou www.cidadevirtual.pt/iefp, e os privados www.edunau.net, ou http://superemprego.sapo.pt No quadro que se segue apresentam-se exemplos de sites portugueses classificados de acordo com a grelha apresentada por Offer (2002) e integrada no site Guidanceforum.net


Fontes: Offer, M. (2002). Using ICT in Adult Guidance. Chester, UK: NICEC (briefing); www.Guidanceforum